O Fim da Infância Espiritual: A Razão como Única Lei
O homem moderno vive uma esquizofrenia intelectual. De um lado, desfruta dos avanços da técnica e da clareza das leis; do outro, ainda rasteja em busca de soluções metafísicas para problemas que são, puramente, da matéria. Ao observar a decadência da vontade individual, vejo a religião — qualquer uma delas — não como uma busca pela verdade, mas como um refúgio para os covardes que não suportam o peso da própria existência. É o esconderijo daqueles que, diante da crueza do real, preferem o consolo de uma ilusão à dignidade de enfrentar o mundo sem muletas. A religiosidade é, em sua essência, uma festa de ressentimento contra o real. Não importa se o incenso é aceso numa igreja gótica, se a vela queima num terreiro ou se o mapa astral é consultado em um escritório climatizado. O mecanismo é o mesmo: a negação da ação em favor da esperança. A esperança é o pior dos males, pois ela não cura o sofrimento; ela apenas o prolonga, anestesiando a capacidade de reação do indivíduo. É preciso ter...