O Fim da Infância Espiritual: A Razão como Única Lei
A religiosidade é, em sua essência, uma festa de ressentimento contra o real. Não importa se o incenso é aceso numa igreja gótica, se a vela queima num terreiro ou se o mapa astral é consultado em um escritório climatizado. O mecanismo é o mesmo: a negação da ação em favor da esperança. A esperança é o pior dos males, pois ela não cura o sofrimento; ela apenas o prolonga, anestesiando a capacidade de reação do indivíduo.
É preciso ter a coragem de dizer o óbvio: rituais são encenações da impotência. Quando o indivíduo substitui o esforço pelo banho de ervas, ou a estratégia política pela oração silenciosa, ele está cometendo um crime contra si mesmo. Ele está assassinando a sua capacidade de ser senhor do próprio destino para se tornar um mendigo da providência divina. É patético observar seres dotados de inteligência analítica agindo como se o universo estivesse minimamente interessado em seus pequenos dramas pessoais ou em seus subornos espirituais feitos de cera e rezas.
A sociologia e a filosofia já dissecaram esse cadáver há séculos. A religião é um fato social de domesticação. Ela serve para que o oprimido aceite a sua dor como "provação" e para que o medíocre sinta que é "especial" por seguir um dogma. No mundo concreto, o mundo dos editais, das constituições e da biologia, não existe força mágica ou destino traçado. Existe a causalidade: a ação gerando resultado.
O misticismo é a muleta de quem tem medo de caminhar sozinho. É mais fácil acreditar que uma entidade ou um astro governa sua vida do que admitir que o seu fracasso é fruto da sua inércia e que o seu sucesso depende da sua disciplina. A realidade não tem misericórdia: ela exige estudo, currículo e o enfrentamento seco da burocracia.
Menos templos, mais laboratórios. Menos velas, mais códigos de lei. Quebrem seus ídolos de cera antes que eles derretam sobre a sua própria paralisia. A vida só começa onde a ilusão religiosa termina
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